<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855</id><updated>2012-02-16T17:18:03.776-08:00</updated><title type='text'>Sanatório Berghof</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-6989970608853855908</id><published>2011-05-28T10:40:00.000-07:00</published><updated>2011-05-28T10:52:13.816-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-sh4eHmKsOo0/TeE2QdWr_KI/AAAAAAAAADY/41ZzRn96rUE/s1600/machado-de-assis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 221px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-sh4eHmKsOo0/TeE2QdWr_KI/AAAAAAAAADY/41ZzRn96rUE/s320/machado-de-assis.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611826267065941154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caros leitores, reverenciemos o Grande Mestre Maior das Letras deste país. Não há necessidade de dizer que estamos aqui a falar do Excelentíssimo Senhor Joaquim Maria Machado de Assis! Aos que têm estilo e senso crítico, deleitem-se! Aos que o perderam, sintam saudades de como era! Aos que nunca tiveram, aprendam! Graças, obrigado, Mestre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo das idéias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há alguém, disse o Sr. Senador João Alfredo, citando um velho dito conhecido, há alguém que tem mais espírito que Voltaire, é todo o mundo”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não sei se já alguma vez disse ao leitor que as idéias, para mim, são como as nozes, e que até hoje não descobri melhor processo para saber o que está dentro de umas e de outras, — senão quebrá-las.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aos vinte anos, começando a minha jornada por esta vida pública que Deus me deu, recebi uma porção de idéias feitas para o caminho. Se o leitor tem algum filho prestes a sair, faça-lhe a mesma coisa. Encha uma pequena mala com idéias e frases feitas, se puder, abençoe o rapaz e deixe-o ir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não conheço nada mais cômodo. Chega-se a uma hospedaria, abre-se a mala, tira-se uma daquelas coisas, e os olhos dos viajantes faíscam logo, porque todos eles as conhecem desde muito, e crêem nelas, às vezes mais do que em si mesmos. É um modo breve e econômico de fazer amizade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi o que me aconteceu. Trazia comigo na mala e nas algibeiras uma porção dessas idéias definitivas, e vivi assim, até o dia em que, ou por irreverência do espírito, ou por não ter mais nada que fazer, peguei de um quebra-nozes e comecei a ver o que havia dentro delas. Em algumas, quando não achei nada, achei um bicho feio e visguento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não escapou a este processo a idéia de que todo o mundo tem mais espírito do que Voltaire, inventada por um homem ilustre, o que foi bastante para lhe dar circulação. E, palavra, no caso desta, senti profundamente o que me aconteceu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com efeito, a idéia de que todo o mundo tem mais espírito do que Voltaire, é consoladora, compensadora e remuneradora. Em primeiro lugar, consola a cada um de nós de não ser Voltaire. Em segundo lugar, permite-nos ser mais que Voltaire, um Voltaire coletivo, superior ao Voltaire pessoal. Às vezes éramos vinte ou trinta amigos; não era ainda todo o mundo, mas podíamos fazer um oitavo de Voltaire, ou um décimo. Vamos ser um décimo de Voltaire? Juntávamo-nos; cada um punha na panela comum o espírito que Deus lhe deu, e divertíamo-nos muito. Saíamos dali para a cama, e o sono era um regalo,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Perdi tudo isto. Peguei desta compensação tão cômoda e barata, e deitei-a fora. Funesta curiosidade! O que achei dentro, foi que todo o mundo não tem mais espírito que Voltaire, nem mais gênio que Napoleão. Cito estes dois grandes homens, porque o segundo lá está citado na frase do eminente senador.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sim, meus amigos. Choro lágrimas de sangue com a minha descoberta; mas que lhes hei de fazer? Consolemo-nos com o ser simplesmente Macário ou Pantaleão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Multipliquemo-nos para vários efeitos, para fazer um banco, uma câmara legislativa, uma sociedade de dança, de música, de beneficência, de carnaval, e outras muitas em que o óbulo de cada um perfaz o milhão de todos; mas contentemo-nos com isto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nem me retruque o leitor com o fato de ter de um lado a opinião do autor da idéia, e as gerações que a têm repetido e acreditado, enquanto do outro estou apenas eu. Faça de conta que sou aquele menino que, quando toda a gente admirava o manto invisível do rei, quebrou o encanto geral, exclamando: — El-Rei vai nu! Não se dirá que, ao menos nesse caso, toda a gente tinha mais espírito que Voltaire. Está-me parecendo que fiz agora um elogio a mim mesmo. Tanto melhor; é minha doutrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 de março de 1885&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-6989970608853855908?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/6989970608853855908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2011/05/caros-leitores-reverenciemos-o-grande.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/6989970608853855908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/6989970608853855908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2011/05/caros-leitores-reverenciemos-o-grande.html' title=''/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-sh4eHmKsOo0/TeE2QdWr_KI/AAAAAAAAADY/41ZzRn96rUE/s72-c/machado-de-assis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-1063585555605848685</id><published>2011-05-18T08:01:00.001-07:00</published><updated>2011-05-18T08:04:58.003-07:00</updated><title type='text'>A porta aberta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-nhdmSTh21Xc/TdPf6tZWHaI/AAAAAAAAADI/pOFlMqX5TK0/s1600/saki%2Bretrato.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 224px; height: 289px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-nhdmSTh21Xc/TdPf6tZWHaI/AAAAAAAAADI/pOFlMqX5TK0/s320/saki%2Bretrato.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608072160717708706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A porta aberta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Minha tia já irá descer, Sr. Nuttel - disse uma jovem de quinze anos, muito segura de si. - Neste meio tempo, o senhor terá que fazer o possível para me aturar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Framton Nuttel empenhava-se em achar algo para falar que pudesse lisonjear a sobrinha do momento sem menosprezar indevidamente a tia que estava por chegar. No íntimo, duvidava que essa série de visitas formais a pessoas totalmente desconhecidas pudessem ser muito úteis na cura de seu suposto problema de nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Eu sei como vai ser - havia dito sua irmã quando ele se preparava para partir para o campo - você se enterrará ali e não falará com vivalma, e seus nervos ficarão piores do que nunca. Por precaução, eu vou lhe entregar cartas de apresentação para todas as pessoas que eu conheci. Algumas, até onde me recordo, eram bastante agradáveis.&lt;br /&gt;Framton perguntava-se agora se a Sra. Sappleton, a dama a quem iria entregar uma das tais cartas de apresentação, era do grupo das agradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Você conhece muita gente por aqui? - perguntou a sobrinha, quando julgou que o silêncio já se fazia longo demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Quase ninguém - respondeu Framton. - Minha irmã esteve aqui, na reitoria, você sabe, há uns quatro anos, e me entregou cartas de apresentação para algumas pessoas daqui. Ele disse a última frase em um tom pesaroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Então o senhor não sabe praticamente nada sobre a minha tia? - continuou a calma jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Somente o seu nome e endereço - admitiu o visitante. Ele desejava saber se a Sra. Sappleton seria casada ou viúva. Alguma coisa no ambiente sugeria uma presença masculina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - A grande tragédia dela aconteceu há três anos - disse a menina - quer dizer, depois do tempo de sua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Uma tragédia? - perguntou Framton. De alguma forma, neste tranqüilo rincão as tragédias pareciam algo fora de lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - O senhor deve ter se perguntado por que motivo deixamos aquela porta escancarada em uma tarde de outubro - disse a sobrinha, apontando para uma larga esquadria que dava para um jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Faz bastante calor nesta época do ano - disse Framton. - Mas o que a janela tem a ver com a tragédia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Por essa porta, um dia, há exatos três anos, o marido dela e seus dois irmãos menores saíram, para uma caçada. Nunca mais voltaram. Ao atravessarem o brejo que levava ao seu lugar favorito, onde gostavam de caçar narcejas, afundaram em um trecho traiçoeiro do pântano. Foi durante um verão terrivelmente chuvoso, você sabe, e os terrenos que antes eram firmes cediam sem que houvesse maneira de escapar. Seus corpos jamais foram encontrados. E essa é a parte terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Nesse momento, a voz da garota perdeu o tom seguro para tornar-se vacilante, humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Minha pobre tia ainda acredita que eles voltarão algum dia, eles e o pequeno cão marrom que os acompanhava, e que entrarão por aquela porta como costumavam fazê-lo. Eis por quê a porta é mantida sempre aberta até o crepúsculo. Pobre e querida tia, vive me contando o modo como eles saíram, seu marido com seu impermeável branco no braço, e Ronnie, seu irmão caçula, cantando "Bertie, por que pulas tanto?", sempre a provocando, pois sabia que essa canção a irritava. Sabe, às vezes, em tardes tranqüilas como a de hoje, eu tenho uma sensação apavorante de que eles todos entrarão por aquela porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A garota teve um leve estremecimento. Foi um alívio para Framton quando a tia irrompeu na sala, pedindo desculpas pela demora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Espero que Vera tenha lhe entretido - disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Ela me contou coisas interessantes - respondeu Framton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Espero que não se importe com a porta aberta - disse a Sra. Sappleton. - Meu marido e meus irmãos estão caçando e sempre entram por essa porta. Hoje foram caçar narcejas nos brejos e não quero nem imaginar o estado em que vão deixar os meus pobres tapetes. Vocês, homens, são todos assim, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Ela continuou a tagarelar alegremente sobre a caça, a escassez de aves e as chances de haver patos no inverno. Para Framton, tudo era simplesmente horrível. Ele fez um esforço desesperado para conduzir a conversa para um tema menos assustador; mas estava consciente de que sua anfitriã lhe dedicava apenas uma parte de sua atenção, desviando constantemente o olhar em direção à porta aberta e ao jardim. Foi certamente uma infeliz coincidência o fato de sua visita acontecer justamente em tão trágico aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Os médicos foram unânimes em me recomendarem total repouso, bem como em me proibirem qualquer excitação mental e exercícios físicos intensos - anunciou Framton, que, como muitos, acreditava erroneamente que pessoas estranhas e encontradas casualmente estivessem ávidas por saber os mais ínfimos detalhes de nossas enfermidades, de sua causa e seu tratamento. - Só quanto à dieta é que eles não estão de acordo - acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Não? - disse a Sra. Sappleton, numa voz que simplesmente substituía um bocejo momentâneo. Subitamente, sua expressão revelou uma atenção vívida - mas não para as palavras de Framton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Finalmente chegaram! - gritou. - Bem a tempo para o chá, e não é que estão sujos de lama até os olhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Framton estremeceu levemente e voltou-se para a sobrinha, com um olhar com o qual pretendia demonstrar sua condoída compreensão. A garota tinha os olhos fixos na porta aberta, com um brilho de horror no olhar. Tomado de um arrepiante e inominável temor, Framton virou-se na poltrona e olhou na mesma direção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     No escuro crepúsculo, três vultos atravessavam o jardim em direção à porta; todos carregavam armas embaixo do braço, e um deles levava um impermeável branco por sobre os ombros. Um cachorro marrom, cansado, os acompanhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Silenciosamente eles se aproximaram da casa, e logo se ouviu uma voz jovem e rouca que cantava: "Bertie, por que pulas tanto?" · &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Framton agarrou apressadamente seu chapéu e sua bengala; a porta do vestíbulo, o passeio de cascalho e o portão foram etapas quase não notadas de sua impetuosa retirada. Um ciclista que passava pela estrada foi obrigado a desviar para evitar a colisão iminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Aqui estamos, querida - disse o que carregava o impermeável branco, entrando pela porta. - Bastante sujos, mas quase secos. Mas quem era esse homem que saiu correndo assim que entramos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Um homem esquisitíssimo, um tal Sr. Nuttel - disse a Sra. Sappleton. - Só falava de sua doença, e sumiu, sem nem se despedir ou se desculpar, assim que vocês chegaram. Parece até que ele viu um fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Eu acho que foi o cachorro - disse tranqüilamente a sobrinha. - Ele me contou que tinha horror a cachorros. Uma vez ele foi perseguido por uma matilha de cães em um cemitério próximo ao Ganges e teve que passar a noite em uma cova recém aberta com os animais grunhindo e rosnando e espumando bem acima dele. O suficiente para qualquer um ficar com os nervos abalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A garota era especialista em improvisar histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Roberto Schmitt-Prym&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAKI é o pseudônimo do britânico Hector Hugh Munro (1870-1916), considerado por Graham Greene como o melhor humorista inglês do século vinte. Munro retirou o nome Saki de um verso de Omar Khayyam, após ler o Rubayat. Seu forte eram histórias curtas de finais surpreendentes, um pouco à moda de Guy de Maupassant e O. Henry Após a morte de sua mãe, Saki foi criado por duas tias rabugentas e antipáticas, que não lhe proporcionaram uma infância infeliz, razão pela qual algumas de suas histórias tratam da crueldade da qual as crianças são capazes, caso de "A janela aberta". Obras do autor: Reginald (1904), The Chronicles of Clovis (1911), Beasts and Super-Beasts (1914), entre outros além de duas novelas: The Unbearable Bassington (1912) and When William Came (1914). Saki morreu na França durante a Primeira Guerra Mundial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-1063585555605848685?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/1063585555605848685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2011/05/pata-do-macaco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/1063585555605848685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/1063585555605848685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2011/05/pata-do-macaco.html' title='A porta aberta'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-nhdmSTh21Xc/TdPf6tZWHaI/AAAAAAAAADI/pOFlMqX5TK0/s72-c/saki%2Bretrato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-5435988182830545817</id><published>2010-10-19T17:46:00.001-07:00</published><updated>2010-10-25T18:53:47.342-07:00</updated><title type='text'>Consolo na praia</title><content type='html'>São poucos os poemas que me representam tanto quanto este...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Consolo na praia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Vamos, não chores.&lt;br /&gt;    A infância está perdida.&lt;br /&gt;    A mocidade está perdida.&lt;br /&gt;    Mas a vida não se perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O primeiro amor passou.&lt;br /&gt;    O segundo amor passou.&lt;br /&gt;    O terceiro amor passou.&lt;br /&gt;    Mas o coração continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Perdeste o melhor amigo.&lt;br /&gt;    Não tentaste qualquer viagem.&lt;br /&gt;    Não possuis carro, navio, terra.&lt;br /&gt;    Mas tens um cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Algumas palavras duras,&lt;br /&gt;    em voz mansa, te golpearam.&lt;br /&gt;    Nunca, nunca cicatrizam.&lt;br /&gt;    Mas, e o humour?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A injustiça não se resolve.&lt;br /&gt;    À sombra do mundo errado&lt;br /&gt;    murmuraste um protesto tímido.&lt;br /&gt;    Mas virão outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Tudo somado, devias&lt;br /&gt;    precipitar-te, de vez, nas águas.&lt;br /&gt;    Estás nu na areia, no vento...&lt;br /&gt;    Dorme, meu filho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-5435988182830545817?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/5435988182830545817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/consolo-na-praia_19.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/5435988182830545817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/5435988182830545817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/consolo-na-praia_19.html' title='Consolo na praia'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-8547598037182609644</id><published>2010-10-19T17:46:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T17:48:00.090-07:00</updated><title type='text'>Consolo na praia</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-8547598037182609644?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/8547598037182609644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/consolo-na-praia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/8547598037182609644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/8547598037182609644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/consolo-na-praia.html' title='Consolo na praia'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-5141176285415015605</id><published>2010-10-17T14:42:00.000-07:00</published><updated>2010-10-17T14:44:41.308-07:00</updated><title type='text'>El Ingenioso Hidalgo Dom Quijote de la Mancha</title><content type='html'>Ah, senhor Cervantes Saavedra... Se não fosse por ti, a Península Ibérica nos teria dado tão menos serem de importância... Muito obrigado, mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pFVAtrTI_gE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/pFVAtrTI_gE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-5141176285415015605?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/5141176285415015605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/el-ingenioso-hidalgo-dom-quijote-de-la.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/5141176285415015605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/5141176285415015605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/el-ingenioso-hidalgo-dom-quijote-de-la.html' title='El Ingenioso Hidalgo Dom Quijote de la Mancha'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-7095909952319999594</id><published>2010-10-16T18:48:00.000-07:00</published><updated>2010-10-16T18:51:27.780-07:00</updated><title type='text'>O Lobo das Estepes</title><content type='html'>Consegui recuparar o blog antigo.&lt;br /&gt;Há o fato de ter este já, mas não vou desativá-lo. Deixarei o Lobo ao que se propunha, ou seja, publicação de meus textos literários e este para as crônicas, discussões políticas e textos de outros autores, como vinha fazendo. Há coisa nova por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.tadeusena.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-7095909952319999594?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/7095909952319999594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/o-lobo-das-estepes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7095909952319999594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7095909952319999594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/o-lobo-das-estepes.html' title='O Lobo das Estepes'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-7821957299582751802</id><published>2010-10-16T17:18:00.000-07:00</published><updated>2010-10-16T17:23:44.425-07:00</updated><title type='text'>Alucinação</title><content type='html'>Eu não estou interessado em nenhuma teoria&lt;br /&gt;Em nenhuma fantasia, nem no algo mais&lt;br /&gt;Nem em tinta pro meu rosto ou oba-oba ou melodia&lt;br /&gt;Para acompanhar bocejos, sonhos matinais&lt;br /&gt;Eu não estou interessado em nenhuma teoria&lt;br /&gt;Nem nessas coisas do Oriente&lt;br /&gt;Romances astrais&lt;br /&gt;A minha alucinação é suportar o dia-a-dia&lt;br /&gt;E meu delírio é a experiência com coisas reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Belchior)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-7821957299582751802?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/7821957299582751802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/alucinacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7821957299582751802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7821957299582751802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/10/alucinacao.html' title='Alucinação'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-2001896837590565878</id><published>2010-09-16T19:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T19:18:27.671-07:00</updated><title type='text'>A morte do Lidador; Alexandre Herculano</title><content type='html'>A MORTE DO LIDADOR&lt;br /&gt;Alexandre Herculano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; -  Pajens! Ou arreiem o meu ginete murzelo; e vós dai-me o meu lorigão de malha de ferro e a minha boa toledana. Senhores cavaleiros, hole contam-se noventa e cinco anos que recebi o batismo, oitenta que visto armas, setenta que sou cavaleiro, e quero celebrar tal dia fazendo entrada por terras da frontaria dos mouros.&lt;br /&gt; Isto dizia na sala de armas do castelo de Beja Gonçalo Mendes da Maia, a quem, pelas muitas batalhas que pelejara e por seu valor indomável, chamavam Lidador. Afonso Henriques, depois do infeliz sucesso de Badajoz, e feitas pazes com el-rei Leão, o nomeara fronteiro da cidade de Beja, de pouco tempo conquistada aos mouros. Os quatro Viegas, filhos do bom velho Egas Moniz, estavam com êle, e outro muiots cavaleiros afamados, entre os quais D. Ligel de Flandres e Mem Moniz - que a festa de vossos anos, Senhor Gonçalo Mendes, será mais de mancebo cavaleiro que de capitão encanecido e prudente. Deu-vos el-rei esta frontaria de Beja para bem a haverdes de guardar, e não sei se arriscado é sair hoje à campanha, que dizem os escutas, chegados ao romper d'alva, que o famose Almoleimar correr por êstes arredores com dez vêzes mais lanças do que tôdas as que estão encostadas nos lanceiros desta sala de armas. &lt;br /&gt; - Voto a Cristo - atalhou o Lidador - que não cria em que o senhor rei me houvesse pôsto nesta tôrre de Beja para estar assentado à lareira da chaminé, como velha dona, a espreitar de quando em quando por uma seteira se cavaleiros mouros vinham correr até a barbacã, para lhes cerrar as portas e ladrar-lhes do cimo da tôrre da menagem, como usam os vilãos. Quem achar que são duros de mais os arneses dos infiéis pode ficar-se aqui.&lt;br /&gt; - Bem dito! Bem dito! - exclamarem, dando grandes risadas, os cavaleiros mancebos.&lt;br /&gt; - Por minha boa espada! - gritou Men Moniz, atirando o guante ferrado às lájeas do pavimento - que mente pela gorja quem disser que eu ficarei aqui, havendo dentro de dez léguas em redor lide com mouros. Senhor Gonçalo Mendes, podeis montar em vosso ginete, e veremos qual das nossas lanças bate primeior em adarga mourisca.&lt;br /&gt; - A cavalo! A cavalo! - gritou outra vez a chusma, com grande alarido. &lt;br /&gt;  Dali a pouco, ouvia-se o retumbar dos sapatos de ferro de muitos cavaleiros descendo os degraus de mármore da tôrre de Beja e, passados alguns instantes, soava só o tropear dos cavalos, atravessando a ponte levadiça das fortificações exteriores que davam para a banda da campanha por onde costumava aparecer a mourisma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um dia  do mês de julho, duas horas depois da alvorada, e tudo estava em grande silêncio dentro da cêrca de Beja: batia o sol nas pedras esbranquiçadas dos muros e tôrres que a defendiam: ao longe, pelas imensas compinas que avizinhavam o têso sôbre que a povoação está assentada, viam-se ondear as searas maduras, cultivadas por mãos de agarenos para seus novos senhores cristãos. Regados por lágrimas de escravos tinham sido êsses campos, quando formoso dia de inverno os sulcou o ferro do arado; por lágrimas de servos seriam outra vez umedecidos, quando, no mês de julho, a paveia, cercada pela fouce, pendesse sôbre a mão do ceifeiro: chôro de amargura havia aí, como, cinco séculos antes, o houvera: então de cristãos conquistados, hoje de mouros vencidos. A cruz hateava-se outra vez sôbre o crescente quebrado: os coruchéus das mesquitas convertiam-se  em campanários de sés, e a voz do almuadem trocava-se por toada de sinos, que chamavam à  oração  entendida por Deus.&lt;br /&gt; Era esta a resposta dada pela raça goda aos filhos d'África e do Oriente, que diziam, mostrando os alfanges: - "é nossa a terra de Espanha". - O dito árabe foi desmentido; mas a resposta gastou oito séculos a escrever-se. Pelaio entalhou com a espada a primeira  palavra dela nos cerros das Astúrias; a última gravaram-na Fernando e Isabel, com os pelouros de suas bambardes, nos panos das muralhas da formosa Granada: e esta escritura, estampada em alcantis de ontanhas, em campos de batalha, nos portais e tôrres dos templos, nos bancos dos muros das cidades e castelos, acrescentou no fim a mão da Providência - "assim para todo o sempre!"&lt;br /&gt; Nesta luta de vinte gera;'oes andavam lidando as gentes do Alentejo. O servo mouro olhava todos os dias para o horizonte, onde se enxergavam as serranias do Algarve: de lá esperava êle salvação ou, ao emnos, vengança; ao menos, um dia de combate e corpos de cristãos estirados na veiga para pasto dos açôres bravios. A vista do sangue enxugava-lhes por algumas horas as lágrimas, embora as aves de rapina tivessem, também, abundante ceva de cadáveres de seus irmãos! E êste ameno dia de julho devia ser um dêsses dias por que suspirava o servo ismaelita.&lt;br /&gt; Almoleimar descera com os seus cavaleiros às campinas de Beja. Pelas horas mortas da noite, viam-se as almenaras das suas talaias nos píncaros das serras remotas, semelhantes às luzinhas que em descampados e tremedais acendem as bruxas em noites de seus folguedos: bem longe estavam as almenaras, mas bem perto sentiam os escutas o resfolegar e o tropear de cavalos, e o ranger das fôlhas sêcas, e o tinir a espaços de alfange batendo em ferro de caneleira ou de coxote. Ao romper d'alva, os cavaleiros do Lidador saíam mais de dois tiros de besta além das muralhas de Beja; tudo porém estava em silêncio, e só, aqui e ali, as searas calcadas davem rebate de que por aquêles sítios tinham vagueados almogaures mouros, como o leão do deserto rodeia, pelo quarto de modôrra, as habitações dos pastôres além das encostas do Atlas.&lt;br /&gt; No dia em que Gonçalo Mendes da Maia, o velho fronteiro de Beja, cumpria os noventa e cinco anos, ninguém saíra, pelo arrebol da manhã, a correr o campo; e, todavia, nunca tão de perto chegara Almoleimar; porque uma frecha fôra pregada a mão em um grosso sovereiro que sombreava uma fonte a pouco mais de tiro de funda dos muros do castelo. Era que nesse dia deviam ir mais longe os cavaleiros cristãos: Lidador pedira aos pajens o seu lorigão de malha de ferro e a sua boa toledana.&lt;br /&gt; Trinta fidalgos, flor da cavalaria, corriam à rédea sôlta pelas campinas de Beja; trinta, não mais, eram êles; mas orçavam por trezentos os homens d'armas, escudeiros e pajens que os acompanhavam. Entre todos avultava em robustez e grandeza de membros o Lidador, cujas barbas brancas lhe ondeavam, como flocos de neve, sôbre o peitoral da cota d'armas, e o terrível Lourenço Viegas, a quem, pelos espantosos golpes da sua espada, chamavam o Espadeiro. Eram formoso espetáculo o esvoaçar dos balsões e signas, fora de suas fundas e soltos ao vento, o cintilar das cervillheiras, as côres variegadas das cotas, e as ondas de pó que se alevantavam debaixo dos pés dos ginetes, como se alevanta o bulcão de Deus, varrendo a face de campina ressequida, em tarde ardente de verão.&lt;br /&gt; Ao largo, muito ao largo, dos muros de Beja cai a  atrevida cavalgada em demanda dos mouros; e no horizonte não se vêem senão os topos pardo-azulados das serras do Algarve, que parece fugirem tanto quanto os cavaleiros caminham. Nem um pendão mourisco, nem um albornoz branco alvejam ao longe sôbre um cavalo murzelo. Os corredores cristãos volteiam na frente da linha dos cavaleiros, correm, cruzam para um e outro lado, embrenham-se nos matos e transpõem-nos em breve; entram pelos canaviais dos ribeiros; aparecem, somem-se, tornam a sair ao claro; mas, no meio de tal lidar, apenas se ouvem o trote campassado dos ginetes e o grito monótono da cigarra, pousada nos raminhos da giesteira.&lt;br /&gt; A terra que pisam é já dos mouros; é já além da frontaria. Se olhos de cavaleiros portuguêses soubessem olhar para trás, indo em som de guerra, os que para trás de si os volvessem a custo enxergariam Beja. Bastos pinhais começavam já a cobrir mais crêspo território, cujos outirinhos, aqui e ali, se alteavam suaves, como seio de virgem em viço de mocidade. Pelas faces tostadas dos cavaleiros cobertos de pó corria o suor em bagas, e os ginetes alagavam de escuma as rêdes de ferro acaireladas d'ouro que so defendiam. A um sinal do Lidador, a cavalgada parou; era necessário repousar, que o sol ia no zênite e abrasava a terra; descavalgaram todos à sombra de um azinhal e, sem desenfrear os cavalos, deixaram-nos pascer alguma relva que crescia nas bordas de um arroio vizinho.&lt;br /&gt; Tinha passado meia hora: por mandado do velho fronteiro de Beja um almogávar montou a cavalo e aproximou-se à rédea sôlta de uma selva extensa que corria à mão direita: pouco, porém, correu; uma frecha despedida dos bosques sibilou no ar: o almogávar gritou por Jesus: a frecha tinha-se embebido ao lado: o cavalo parou de repente, e êle, erguendo os braços  ao ar, com as mãos abertas, caiu de bruços, tombando para o chão, e o ginete partiu desenfreado através das veigas e desapareceu na selva. O almogávar dormia o último sono dos valentes em terra de inimigos, e os cavaleiros da frontaria de Beja viram o seu transe do repousar eterno.&lt;br /&gt; - A cavalo! A cavalo! - bradou a uma voz tôda a lustrosa companhia do Lidador; e o tinido dos guantes ferrados, batendo na cobertura de malha dos ginetes, soou uníssono, quando todos os cavaleiros cavalgaram de um pulo; e os ginetes rincharam de prazer, como aspirando os combates.&lt;br /&gt; Grita medonha troou ao mesmo tempo, além do pinhal da direita. - "Alá! Almoleimar!" - era o que dizia a grita.&lt;br /&gt; Enfileirados em extensa linha, os cavaleiros árabes saíram à rédea sôlta de trás da escura selva que os encobria: o seu número excedia em conco vêzes o dos soldados da cruz: as suas armaduras lisas e polidas contrastavam com a rudeza das dos cristãos, apenas defendidos por pesadas cervilheiras de ferro e por grossas cotas de malha do mesmo metal: mas as lanças dêstes eram mais robustas, e as suas espadas mais volumosas do que as cimitarras mouriscas. A rudeza e a fôrça da raça gótico-romana ia, ainda mais uma vez, provar-se com a destreza e com a perícia árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como longa fita de muitas côres, recamada de fios d'ouro e refletindo mil acidentes de luz, a extensa e profunda linha dos cavaleiros mouros sobressaía na veiga entre as searas pálidas que cobriam o campo. Defronte dêles, os trinta cavaleiros portuguêses, com trezentos homens d'armas, pajens e escudeiros, cobertos dos seus escuros envoltórios e lanças em riste, esperavam o brado de acometer. Quem visse aquêle punhado de cristãos, diante da cópia d'infiéis que os esperavam, diria que, não com brios de cavaleiros, mas com fervor de mártires, se ofereciam a desesperado transe. Porém, não pensava assim Almoleimar, nem os seus soldados, que bem conheciam a têmpera das espadas e lanças portuguêses e a rijeza dos braços que as meneavam. De um contra dez devia ser o iminente combte; mas, se havia aí algum coração que batesse descompassado, algumas faces descoradas, não era entre os companheiros do Lidador, que tal coração batia ou que tais faces descoravam.&lt;br /&gt; Pouco a pouco, a planura que separava as duas hostes tinha-se embbido debaixo dos pés dos cavalos, como no tórculo se embebe a fôlha de papel saindo para o outro lado convertida em estampa primorosa. As lanças iam feitas: o Lidador bradara Santiago, e o nome de Alá soara em um só grito por tôda a fileira mourisca.&lt;br /&gt; Encontraram-se! Duas muralhas fronteiras, balouçadas por violento terremoto, desabando, não fariam mais ruído, ao bater em pedaços uma contra a outra, do que êste recontro de infiéis e cristãos. As lanças, topando em cheio nos escudos, tiravam dêles um som profundo, que se misturava com o estalar das que voavam despedaçadas. Do primeiro encontro, muitos cavaleiros vieram ao chão: um mouro robusto foi derribado por Mem Moniz, que lhe falsou as armas e trapassou o peito com o ferro de sua grossa lança. Deixando-a depois cair, o velho desembainhou a espada e gritou ao Lidador, que perto dêle estava:&lt;br /&gt; - Senhor Gonçalo Mendes, ali tendes, no peito daquele perro, aberto a seteira por onde eu, velha dona assentada à lareira, costumo vigiar a chegada de inimigos, para lhes ladrar, como alcatéia de vilãos, do cimo da tôrre de menagem.&lt;br /&gt; O Lidador não lhe pôde responder. Quando Mem Moniz proferia as últimas palavras, êle topara em cheio com o terrível Almoleimar. As lanças dos dois contendores haviam-se feito pedaços, e o alfanje do mouro cruzou-lhe com a toledana do fronteiro de Beja.&lt;br /&gt; Como duas tôrres de sete séculos, cujo cimento o tempo petrificou, os dois capitães inimigos estavam um defronte do outro, firmes em seus possantes cavalos: as faces pálidas e enrugadas do Lidador tinham ganhado a imobilidade que dá, nos grandes perigos, o hábito de os afrontar: mas no rosto de Almoleimar divisavam-se todos os sinais de um valor colérico e impetuoso. Cerrando os dentes com fôrça, descarregou um golpe tremendo sôbre o seu adversário: o Lidador recebeu-o no escudo, onde o alfanje se embebeu inteiro, e procurou ferir Almoleimar entre o fraldão e a couraça; mas a pancada falhou, e a espada desceu, faiscando, pelo coxote do mouro, que já desencravara o alfanje. Tal foi a primeira saudação dos dois cavaleiros inimigos.&lt;br /&gt; - Brando é o teu escudo, velho infiel; mais bem temperado é o metal do meu arnês. Veremos agora se na tua touca de ferro se embotam os fios dêste alfanje.&lt;br /&gt; Isto disse Almoleimar, dando uma risada, e a cimitarra bateu no fundo do vale penedo desconforme desprendido do píncaro da montanha.&lt;br /&gt; O fronteiro vacilou, deu um gemido, e os braços ficaram-lhe pendentes: a espada ter-lhe-ia caído no chão, se não estivesse prêsa ao punho do cavaleiro por uma cadeia de ferro. O ginete, sentindo as rédeas frouxas, fugiu um bom pedaço pela campanha, a todo o galope.&lt;br /&gt; Mas o Lidador tornou a si: uma forte sofreada avisou o ginete de que seu senhor não morrera. À rédea sôlta, lá volta o fronteiro de Beja; escorre-lhe o sangue, envolto em escuma, pelos cantos da bôca: traz os olhos torvos de ira: ai de Almoleimar!&lt;br /&gt; Semelhante ao vento de Deus, Gonçalo Mendes da Maia passou por entre os cristãos e mouros: os dois contendores viram-se, e, como o leão e o tigre, correram um para o outro. As espadas reluziam no ar; mas o golpe do Lidador era simulado, e o ferro mudando de movimento no ar, foi bater de ponta no gorjal de Almoleimar, que cedeu à violenta estocada; e o dangue, saindo às golfadas, cortou a última maldição do agareno.&lt;br /&gt; Mas a espada dêste também não errara o golpe: vibrada na ânsia, colhera pelo ombro esquerdo o velho fronteiro e, rompendo a grossa malha do lorigão, penetrara na carne até o osso. Ainda mais uma vez a mesma terra bebeu nobre sangue gôdo misturado com sangue árabe.&lt;br /&gt; - Perro maldito! Sabe lá no inferno que a espada de Gonçalo Mendes é mais rija que a sua cervilheira.&lt;br /&gt; E, dizendo isto, o Lidador caiu amortecido; um dos seus homens de armas voou a socorrê-lo; mas o último golpe d'Almoleimar fôra o brado da sepultura para o fronteiro de Beja: os ossos do ombro do bom velho estavam como triturados, e as carnes rasgadas pendiam-lhe para um e para outro lado envôltas nas malhas descosidas do lorigão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entretanto os mouros iam de vencida: Mem Moniz, D. Ligel, Godinho Fafes, Gomes Mendes Gedeão e os outros cavaleiros daquela lustrosa companhia tinham praticado maravilhosas façanhas. Mas, entre todos, tornava-se notável o Espadeiro. Com um pesado montante nas mãos, coberto de pó, suor e sangue, pelejava a pé; que o seu agigantado ginete caíra morto de muitos tiros de frechas lançadas. De roda dêle não se viam senão cadáveres e membros destroncados, por cima dos quais trepavam, para logo recuarem ou baquearem no chão, os mais ousados cavaleiros árabes. Como um promontório de escarpados alcantis, Lourenço Viegas estava imóvel e sabranceiro n meio do embate daquelas vagas de pelejadores que vinham desfazer-se contra o terrível montante do filho de Egas Moniz.&lt;br /&gt; Quando o fronteiro caiu, o grosso dos mouros fugia já para além do pinhal; mas os mais valentes pelejavam ainda à roda do seu moribendo. O Lidador  êsse tinha sido pôsto em cima de umas andas, feitas de troncos e franças de árvores, e quatro escudeiros, que restavam vivos dos dez que consigo trouxera, o haviam transportado para a saga da cavalgada. O tinir dos golpes era já muito frouxo e sumiam-se no som dos gemidos, pragas e lamentos que soltavam os feridos derramados pela veiga ensangüentada. Se os mouros, porém, levavam, fugindo, vergonha e dano, a vitória não saíra barata aos portuguêses. Viam perigosamente ferido o seu velho capitão, e tinham perdido alguns cavaleiros de conta e a maior parte dos homens de armas, escudeiros e pajens.&lt;br /&gt; Foi neste ponto que, ao longe, se viu erguer uma nuvem de pó, que voava rápida para o lugar da peleja. Mais perto, aquêle turbilhão rareou vomitando do seio basto esquadrão de árabes. Os mouros que fugiam deram volta e gritaram:&lt;br /&gt; A Ali-Abu-Hassan! Só Deus é Deus, e Maomé o seu profeta!&lt;br /&gt; Era, com efeito, Ali-Abu-Hassan, rei de Tânger, que estava com seu exército sôbre Mertola e que viera com mil cavaleiros em socorro de Almoleimar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cansados de largo combater, reduzidos a menos de metade em número e cobertos de feridas, os cavaleiros de Cristo invocaram o seu nome e fizeram o sinal da cruz. O Lidador perguntou com voz fraca a um pajem, que estava ao pé das andas, que nova revolta era aquela.&lt;br /&gt; - Os mouros foram socorridos por um grosso esquadrão - respondeu tristemente o pajem. - A Virgem Maria nos acuda, que os senhores cavaleiros parece recuarem já.&lt;br /&gt; O Lidador cerrou os dentes com fôrça e levou a mão à cinta. Buscava a sua boa toledana.&lt;br /&gt; - Pajem, quero um cavalo. Onde está a minha espada?&lt;br /&gt; - Aqui a tenho, senhor. Mas estais tão quebrado de fôrças!...&lt;br /&gt; - Silêncio! A espada, e um bom ginete.&lt;br /&gt; O pajem deu-lhe a espada e foi pelo campo buscar um ginete, dos muitos que andavam já sem dono. Quando voltou com êle, o Lidador, pálido e coberto de sangue, estava em pé e dizia, falando consigo:&lt;br /&gt; - Por Santiago que não morrerei como vilão da beetria onde entrou cavalgada de mouros!&lt;br /&gt; E o pajem ajudou-o a montar o cavalo.&lt;br /&gt; Ei-lo o velho fronteiro de Beja! Semelhava um espectro erguido de pouco em campo de finados: debaixo de muitos panos que lhe envolviam o braço e o ombro esquerdo levava a própria morte; nos fios da espada, que a mão direita mal sustinha, levava, porventura, ainda a morte de muitos outros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para onde mais travada e acesa andava a peleja se encaminhou o Lidador. Os cristãos afrouxavam diante daquela multidão de infiéis, entre os quais mal se enxergavam as cruzes vermelhas pintadas nas cimeiras dos portuguêses. Dois cavaleiros, porém, com vulto feroz, os olhos turvados de cólera, e as armaduras crivadas de golpes, sustinham todo o  pêso da batalha. Eram êstes o Espadeiro e Mem Moniz. Quando o fronteiro assim os viu oferecidos a certa morte algumas lágrimas lhe caíram pelas faces e, esporeando o ginete, com a espada erguida, abriu caminho por entre infiéis e cristãos e chegou aonde os dois, cada um com seu montante nas mãos, faziam larga praça no meio dos inimigos.&lt;br /&gt; - Bem-vindo, Gonçalo Mendes! - disse Mem Moniz. - Quiseste assistir conosco a esta festa de morte? Vergonha era, de feiot, que estivesses fazendo teu passamento, com todo o repouso, deitado lá na saga, enquanto eu, velha dona, espreito os mouros com meu sobrinho junto desta lareira...&lt;br /&gt; - Implacáveis sois vós outros, cavaleiros de Riba-Douro, - respondeu o Lidador em voz sumida- que não perdoais uma palavra sem malícia. Lembra-te, Mem Moniz, de que bem depressa estaremos todos diante do justo juiz.&lt;br /&gt; Velho sois; bem o mostrais! - acudiu o Espadeiro. - Não cureis de vãs porfias, mas de morrer como valentes. Demos nestes perros, que não ousam chegar-se a nós. Avante, e Santiago!&lt;br /&gt; - Avante, e Santiago! - responderam Gonçalo Mendes e Mam Moniz: e os três cavaleiros deram rijamente nos mouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quem hoje ouvir recontar os bravos golpes que no mês de julho de 1170 se deram na veiga da fronteira de Beja, notá-los-á de fábulas sonhadas; porque nós, homens corruptos e enfraquecidos por ócios e prazeres de vida afeminada, medimos por nossos ânimos e fôrças, a fôrça e o ânimo dos bons cavaleiros portuguêses do sécuo XII; e todavia, êsses golpes ainda soam, através das eras, nas tradições e crônicas, tanto cristãs como agarenas.&lt;br /&gt; Depois de deixar assinadas muitas armaduras mouriscas, o Lidador vibrara pela última vez a espada e abrira o elmo e o crânio de um cavaleiro árabe. O violento abalo que experimentou lhe fêz rebentar em torrentes o sangue da ferida que recebera das mãos de Almoleimar e, cerrando os olhos, caiu morto ao pé do Espadeiro, de Mem Moniz e de Afonso Hermingues de Baião, que com êles se ajuntara. Repousou, finalmente, Gonçalo Mendes da Maia de oitenta anos de combates!&lt;br /&gt; Já a êste tempo cristãos e mouros se haviam descido dos cavalos e pelejavam a pé. Traziam-se assim à vontade, e recrescia a crueza da batalha. Entre os cavaleiros de Beja espalhou-se logo a nova da morte do seu capitão, e não houve ali olhos que ficasem enxutos. O despeito do próprio Mem Moniz deu lugar à dor, e o velho de Riba-Douro exclamou entre soluços:&lt;br /&gt; - Gonçalo Mendes, és morto! Nós todos quantos aqui somos, não tardará que te sigamos; mas ao menso, nem tu, nem nós ficaremos sem vingança!&lt;br /&gt; - Vingança! - bradou o Espadeiro com voz rouca, e rangendo os dentes. Deu alguns passos e viu-se o seu montante reluzir, como uma centelha em céu proceloso.&lt;br /&gt; Era Ali-Abu-Hassan: Lourenço Viegas o conhecera pelo timbre real do morrião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se já vivestes vida de combates em cidade sitiada, tereis visto muitas vêzes um vulto negro que em linha diagonal corta os ares, sussurrando e gemendo. Rápido, como um pensamento criminoso em alma honesta, êle chegou das nuvens à terra, antes que vos lembrásseis do seu nome. Se encontrou na passagem ângulo de tôrre secular, o mármore converte-se em pó; se atravessou, pelas ramas de árvore basta e frondosa, a fôlha mais virente e frágil, o raminho mais tenro é dividido, como se, com cutelo sutilíssimo, mão de homem lhe houvera cerceado atentamente uma parte; e, todavia, não é um ferro açacalado: é um globo de ferro; é a bomba, que passa, como a maldição de Deus. Depois, debaixo dela, o chão achata-se e a terra espadana aos ares; e, como agitada, despedaçada por cem mil demônios, aquela máquina do inferno estoura, e de roda dela há um zumbir sinistro: são mil fragmentos; são mil mortes que se derramam ao longe. Então faz-se um grande silêncio vêem-se corpos destroncados, poças de sangue, arcabuzes quebrados, e ouvem-se o gemer dos feridos e o estertor dos moribundos.&lt;br /&gt; Tal desceu o montante do Espadeiro, rôto dos milhares de golpes que o cavaleiro tinha descarregado. O elmo de Ali-Abu-Hassan faiscou, voando em pedaços pelos ares, e o ferro cristão esmigalhou o crânio do infiel, abriu-o até os dentes. Ali-Abu-Hassan caiu.&lt;br /&gt; - Lidador! Lidador! - disse Lourenço Viegas, com voz comprimida. As lágrimas misturavam-se-lhe nas faces com o suor, com o pó e com o sangue do agareno, de que ficou coberto. Não pôde dizer mais nada.&lt;br /&gt; Tão espantoso golpe aterrou os mouros. Os portuguêses seriam já apenas sessenta, entre cavaleiros e homens d'armas: mas pelejavam como desesperados e resolvidos a morrer. Mais de mil inimigos juncavam o campo, de envôlta com os cristãos. A morte de Ali-Abu-Hassan foi o sinal da fugida.&lt;br /&gt; Os portuguêses, senhores do campo, celebravam com prantos a vitória. Poucos havia que não estivessem feridos; nenhum que não tivesse as armas falsadas e rôtas. O Lidador e os demais cavaleiros de grande conta que naquela jornada tinham acabado, atravessados em cima dos ginetes, foram conduzidos a Beja. Após aquêle tristíssimo préstito, iam os cavaleiros a passo lento, e um sacerdote templário, que fôra na cavalgada com a espada cheia de sangue metida na bainha, salmodeava em voz baixa aquelas palavras do livro da Sabedoria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "Justorum autem animae in manu Dei sunt, et non tangent illos tormentum mortis".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-2001896837590565878?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/2001896837590565878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/09/morte-do-lidador-alexandre-herculano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/2001896837590565878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/2001896837590565878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/09/morte-do-lidador-alexandre-herculano.html' title='A morte do Lidador; Alexandre Herculano'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-1690567919979517358</id><published>2010-09-16T18:18:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T18:21:21.550-07:00</updated><title type='text'>"A pata do macaco"; William W. Jakobs</title><content type='html'>A Pata do Macaco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W. W. Jacobs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, a noite estava fria e úmida, mas na pequena sala de visitas de Labumum Villa os postigos estavam abaixados e o fogo queimava na lareira. Pai e filho jogavam xadrez: o primeiro tinha idéias sobre o jogo que envolviam mudanças radicais, colocando o rei em perigo tão desnecessário que até provocava comentários da velha senhora de cabelos brancos, que tricotava serenamente perto do fogo.- Ouça o vento - disse o Sr. White, que, tendo visto tarde demais um erro fatal, queria evitar que o filho o visse.- Estou escutando - disse o último, estudando o tabuleiro ao esticar a mão.- Xeque.- Eu duvido que ele venha hoje à noite - disse o pai, com a mão parada em cima do tabuleiro.- Mate - replicou o filho.- Essa é a desvantagem de se viver tão afastado - vociferou o Sr. White, com um a violência súbita e inesperada. - De todos os lugares desertos e lamacentos para se viver, este é o pior. O caminho é um atoleiro, e a estrada uma torrente. Não sei o que as pessoas têm na cabeça. Acho que, como só sobraram duas casas na estrada, elas acham que não faz mal.- Não se preocupe, querido - disse a esposa em tom apaziguador. - Talvez você ganhe a próxima partida.O Sr. White levantou os olhos bruscamente a tempo de perceber uma troca de olhares entre mãe e filho. As palavras morreram em seus lábios, e ele escondeu um sorriso de culpa atrás da barba fina e grisalha.- Aí vem ele - disse Herbert White, quando o portão bateu ruidosamente e passos pesados se aproximaram da porta.O velho levantou-se com uma pressa hospitaleira e, ao abrir a porta, foi ouvido cumprimentando o recém chegado. Este também o cumprimentou, e a Sra. White tossiu ligeiramente quando o marido entrou na sala, seguido por um homem alto e corpulento, com olhos pequenos e nariz vermelho.- Sargento Morris - disse ele, apresentando-o.O sargento apertou as mãos e, sentando-se no lugar que lhe ofereceram perto do fogo, observou satisfeito o anfitrião pegar uísque e copos, e colocar uma pequena chaleira de cobre no fogo.Depois do terceiro copo, seus olhos ficaram mais brilhantes, e ele começou a falar, o pequeno círculo familiar olhando com interessante este visitante de lugares distantes, quando ele empertigou os ombros largos na cadeira e falou de cenários selvagens e feitos intrépidos: de guerras, pragas e povos estranhos.- Vinte e um anos nessa vida - disse o Sr. White, olhando para a esposa e o filho. - Quando ele foi embora era um rapazinho no armazém. Agora olhem só para ele.- Ele não parece ter sofrido muitos reveses - disse a Sra. White amavelmente.- Eu gostaria de ir à Índia - disse o velho - só para conhecer, compreende?- Você está bem melhor aqui - disse o sargento, sacudindo a cabeça. Pôs o copo vazio na mesa e, suspirando baixinho, sacudiu a cabeça novamente.- Eu gostaria de ver aqueles velhos templos, os faquires e os nativos - disse o velho. - O que foi que você começou a me contar outro dia sobre uma pata de macaco ou algo assim Morris?- Nada - disse o soldado rapidamente. - Não é nada de importante.- Pata de macaco? - perguntou a Sra. White, curiosa.- Bem, é só um pouco do que se poderia chamar de magia, talvez - disse o sargento com falso ar distraído.Os três ouvintes debruçaram-se nas cadeiras interessados. O visitante levou o copo vazio à boca distraidamente e depois recolocou-o onde estava. O dono da casa tornou a enchê-lo.- Aparentemente - disse o sargento, mexendo no bolso - é só uma patinha comum dissecada.Tirou uma coisa do bolso e mostrou-a. A Sra. White recuou com uma careta, mas o filho, pegando-a, examinou-a com curiosidade.- E o que há de especial nela? - perguntou o Sr. White ao pegá-la da mão do filho e, depois de examiná-la, colocá-la sobre a mesa.- Foi encantada por um velho faquir - disse o sargento -, um homem muito santo. Ele queria provar que o destino regia a vida das pessoas, e que aqueles que interferissem nele seriam castigados. Fez um encantamento pelo qual três homens distintos poderiam fazer, cada um, três pedidos a ela.A maneira dele ao dizer isso foi tão solene que os ouvintes perceberam que suas risadas estavam um pouco fora de propósito.- Bem, por que não faz os seus três pedidos, senhor? - disse Herbert White astutamente.O soldado olhou para ele como olham as pessoas de meia-idade para um jovem presunçoso.- Eu fiz - disse ele calmamente, e seu rosto marcado empalideceu.- E teve mesmo os três desejos satisfeitos? - perguntou a Sra. White.- Tive - disse o sargento, e o copo bateu nos dentes fortes.- E alguém mais fez os pedidos? - insistiu a senhora.- O primeiro homem realizou os três desejos - foi a resposta. - Eu não sei quais foram os dois primeiros, mas o terceiro foi para morrer. Por isso é que consegui a pata.Seu tom de voz era tão grave que o grupo ficou em silêncio.- Se você conseguiu realizar os três desejos, ela não serve mais para você Morris - disse o velho finalmente. - Para que você guarda essa pata?O soldado meneou a cabeça.- Por capricho, suponho - disse lentamente. - Cheguei a pensar em vendê-la, mas acho que não o farei. Ela já causou muitas desgraças. Além disso, as pessoas não vão comprar. Acham que é um conto de fadas, algumas delas; e as que acreditam querem tentar primeiro para pagar depois.- Se você pudesse fazer mais três pedidos - disse o velho, olhando para ele atentamente -, você os faria?- Eu não sei - disse o outro. - Eu não sei.Pegou a pata e, balançando-a entre os dedos, de repente jogou-a no fogo.White, com um ligeiro grito, abaixou-se e tirou-a de lá.- É melhor deixar que ela se queime - disse o soldado solenemente.- Se você não quer mais, Morris - disse o outro -, me dá.- Não - disse o amigo obstinadamente. - Eu a joguei no fogo. Se você ficar com ela, não me culpe pelo que acontecer. Jogue isso no fogo outra vez, como um homem sensato.O outro sacudiu a cabeça e examinou sua nova aquisição atentamente.- Como você faz para pedir? - perguntou.- Segure a pata na mão direita e faça o pedido em voz alta - disse o sargento -, mas eu o advirto sobre as conseqüências.- Parece um conto das Mil e uma noites - disse a Sra. White, ao se levantar e começar a pôr o jantar na mesa. - Você não acha que deveria pedir quatro pares de mão para mim?- Se quer fazer um pedido - disse ele asperamente -, peça algo sensato. O Sr. White colocou a pata no bolso novamente e, arrumando as cadeiras acenou para que o amigo fosse para a mesa. Durante o jantar o talismã foi parcialmente esquecido, e depois os três ficaram escutando, fascinados, um segundo capítulo das aventuras do soldado na Índia.- Se a história sobre a pata de macaco não for mais verdadeira do que as que nos contou - disse Herbert, quando a porta se fechou atrás do convidado, que partiu a tempo de pegar o último trem-, nós não devemos dar muito crédito a ela.- Você deu alguma coisa a ele por ela, papai? - perguntou a Sra. White, olhando para o marido atentamente.- Pouca coisa - disse ele, corando ligeiramente. - Ele não queria aceitar, mas eu o fiz aceitar. E ele tornou a insistir que eu jogasse fora.- É claro - disse Herbert, fingindo estar horrorizado. - Ora, nós vamos ser ricos, famosos e felizes. Peça para ser um imperador, papai, para começar, então você não vai ser mais dominado pela mulher.Ele correu em volta da mesa, perseguido pela Sra. White armada com uma capa de poltrona.O Sr. White tirou a pata do bolso e olhou para ela dubiamente.- Eu não sei o que pedir, é um fato - disse lentamente. - Eu acho que tenho tudo o que quero.- Se você acabasse de pagar a casa ficaria bem feliz, não ficaria? - disse Herbert, com a mão no ombro dele. - Bem, peça 200 libras, então, isso dá.O pai, sorrindo envergonhado pela própria ingenuidade, segurou o talismã, quando o filho, com uma cara solene, um tanto franzida por uma piscadela de olhos para a mãe, sentou-se no piano e tocou alguns acordes para fazer fundo.- Eu desejo 200 libras - disse o velho distintamente.Um rangido do piano seguiu-se às palavras, interrompido por um grito estridente do velho. A mulher e o filho correram até ele.- Ela se mexeu - gritou ele, com um olhar de nojo para o objeto caído no chão. - Quando eu fiz o pedido, ela se contorceu na minha mão como uma cobra.- Bem, eu não vejo o dinheiro - disse o filho ao pegá-la e colocá-la em cima da mesa - e aposto que nunca vou ver.- Deve ter sido imaginação sua, papai - disse a esposa, olhando para ele ansiosamente.Ele sacudiu a cabeça.- Não faz mal, não aconteceu nada, mas a coisa me deu um susto assim mesmo.Eles se sentaram perto do fogo novamente enquanto os dois homens acabavam de fumar cachimbos. Lá fora, o vento zunia mais do que nunca, e o velho teve um sobressalto com o barulho de uma porta batendo no andar de cima. Um silêncio estranho e opressivo abateu-se sobre todos os três, e perdurou até o velho casal se levantar e ir dormir.- Eu espero que vocês encontrem o dinheiro dentro de um grande saco no meio da cama - disse Herbert, ao lhes desejar boa noite - e algo terrível agachado em cima do armário observando vocês guardarem seu dinheiro maldito.Ficou sentado sozinho na escuridão, olhando para o fogo baixo e vendo caras nele. A última cara foi tão feia e tão simiesca que ele olhou para ela assombrado. A cara ficou tão vivida que, com uma risada inquieta, ele procurou um copo na mesa que tivesse um pouco de água para jogar no fogo. Sua mão pegou na pata de macaco, e com um ligeiro estremecimento ele limpou a mão no casaco e foi dormir.IINa claridade do sol de inverno, na manhã seguinte, quando este banhou a mesa do café, ele riu de seus temores. Havia um ar de naturalidade na sala que não existia na noite anterior, e a pequena pata suja estava jogada na mesa de canto com um descuido que não atribuia grande crença a suas virtudes.- Eu creio que todos os velhos soldados são iguais - disse a Sra. White. - Essa idéia de dar ouvidos a tal tolice! Como é que se pode realizar desejos hoje em dia? E se fosse possível, como é que iam aparecer 200 libras, papai?- caindo do céu, talvez - disse Herbert, com ar brincalhão.- Morris disse que as coisas aconteciam com tanta naturalidade - disse o pai - que a gente podia até achar que era coincidência.- Bem, não gaste o dinheiro antes de eu voltar - disse Herbert, ao se levantar da mesa. - Estou com medo de que você se torne um homem mesquinho e avarento, e vamos ter de renegá-lo.A mãe riu e, acompanhando-o até a porta, viu-o descer a rua. Voltando à mesa do café, divertiu-se à custa da credulidade do marido. O que não a impediu de correr até a porta com a batida do carteiro, nem de se referir a sargentos da reserva com vício de beber, quando descobriu que o correio trouxera uma conta do alfaiate.- Herbert vai dizer uma das suas gracinhas quando chegar em casa - disse ela, quando se sentaram para jantar.- Com certeza - disse o Sr. White, servindo-se de cerveja -, mas, apesar de tudo, a coisa se mexeu na minha mão; eu posso jurar.- Foi impressão - disse a senhora apaziguadoramente.- Estou dizendo que se mexeu - replicou o outro. - Não há dúvida; eu tinha acabado... O que houve?A mulher não respondeu. Estava observando os movimentos misteriosos de um homem do lado de fora, que, espiando com indecisão para a casa, parecia estar tentando tomar a decisão de entrar. Lembrando-se das 200 libras, ela reparou que o estranho estava bem-vestido e usava um chapéu de seda novo. Por três vezes ele parou no portão, e depois caminhou novamente. Da quarta vez ficou com a mão parada sobre ele, e depois com uma súbita resolução abriu-o e entrou. A Sra. White no mesmo momento desamarrou o avental rapidamente, colocando-o debaixo da almofada da cadeira. Convidou o estranho, que parecia deslocado, a entrar. Ele olhou para ela furtivamente, e ouviu preocupado, a senhora desculpar-se pela aparência da sala, e pelo casaco do marido, uma roupa que ele geralmente reservava para o jardim. Então ela esperou, com paciência, que ele falasse do que se tratava, mas, a princípio, ele ficou estranhamente calado.- Eu... pediram-me para vir aqui - disse ele finalmente, e abaixando-se tirou um pedaço de algodão das calças. - Eu venho representando "Maw&amp;Meggins".A senhora sobressaltou-se.- Aconteceu alguma coisa? - perguntou ela, ofegante - Acontecem alguma coisa a Herbert? O que é? O que é?O marido interveio.- Calma, calma, mamãe - disse ele rapidamente. - Sente-se e não tire conclusões precipitadas. O senhor certamente não trouxe más notícias, não é, senhor - e olhou para o outro ansiosamente.- Eu lamento... - começou o visitante.- Ele está ferido? - perguntou a mãe desesperada.O visitante assentiu com a cabeça.- Muito ferido - disse. - Mas não está sofrendo.- Ah, graças a Deus! - disse a senhora, apertando as mãos. - Graças a Deus! Graças...Parou de falar de repente quando o significado sinistro da afirmativa se abateu sobre ela, e ela viu a terrível confirmação de seus temores no rosto desviado do outro. Prendeu a respiração e, virando-se para o marido, menos perspicaz, pôs a mão trêmula sobre a dele. Seguiu-se um demorado silêncio.- Ele foi apanhado pela máquina - repetiu o Sr. White, estonteado. - Ah! Sim.Ficou sentado olhando para a janela e, tomando a mão da esposa entra as suas, apertou-a como tinha vontade de fazer nos velhos tempos de namoro há quase 40 anos.- Ele era o único que nos restava - disse ele, voltando-se amavelmente para o visitante. - É difícil.O outro tossiu e, levantando-se, caminhou lentamente até a janela.- A firma me pediu para transmitir os nossos sinceros pêsames a vocês por sua grande perda - disse ele, sem olhar para trás. - Eu peço que compreendam que sou apenas um empregado da firma e estou apenas obedecendo ordens.Não houve resposta; o rosto da senhora estava branco, os olhos parados e a respiração inaudível; no rosto do marido havia um olhar que o amigo sargento talvez tivesse na primeira batalha.- Devo dizer que "Maw&amp;Meggins" estão isentos de toda responsabilidade - continuou o outro. - Eles não têm nenhuma dívida com a família, mas, em consideração aos serviços de seu filho, desejam presenteá-los com uma certa soma como compensação.O Sr. White largou a mão da esposa e, pondo-se de pé, olhou para o visitante horrorizado. Seus lábios secos pronunciaram as palavras:- Quanto?- Duzentas libras - foi a resposta.Indiferente ao grito da esposa, o velho sorriu fracamente, estendeu as mãos como um homem cego e caiu, desfalecido, no chão.IIINo enorme cemitério novo, a alguns quilômetros de distância, os velhos enterraram seu morto e voltaram para casa mergulhada em sombras e silêncio. Tudo terminara tão rápido que a princípio nem se davam conta do que acontecera, e ficaram num estado de expectativa como se fosse acontecer mais alguma coisa - algo mais que aliviasse esse fardo, pesado demais para corações velhos.Mas os dias se passaram, e a expectativa deu lugar à resignação - a resignação desesperançada dos velhos, às vezes chamada erradamente de apatia. Algumas vezes nem trocavam uma palavra, pois agora não tinham nada do que falar e os dias eram compridos e desanimados.Foi por volta de uma semana depois que o velho, acordando subitamente de noite, estendeu o braço e viu-se sozinho. O quarto estava no escuro e o ruído de soluços baixinhos vinha da janela. Ele se levantou na cama e ficou ouvindo.- Volte para a cama - disse ele ternamente. - Você vai ficar gelada.- Está mais frio para ele - disse a senhora, e chorou novamente.O som de seus soluços apagou-se nos ouvidos dele. A cama estava quente, e seus olhos pesados de sono. Ele cochilava a todo instante e acabou pegando no sono, quando um súbito grito histérico da esposa o despertou com um sobressalto.- A pata! - gritou histericamente. - A pata de macaco!Ele se levantou, alarmado.- Onde? Onde está? O que houve?Ela correu agitada até ele.- Eu quero a pata - disse ela calmamente. - Você não a destruiu?- Está na sala, em cima da prateleira - replicou ele atônito. - Por quê?Ela chorou e riu ao mesmo tempo e, debruçando-se, beijou-o no rosto.- Só tive essa idéia agora - disse ela histericamente. - Por que não pensei nisso antes? Por que você não pensou nisso antes?- Pensar em quê? - perguntou ele.- Nos outros dois desejos - replicou ela rapidamente. - Nós só fizemos um pedido.- Não foi suficiente? - perguntou ele, irado.- Não - gritou ela, triunfante; - ainda vamos fazer um.Desça, apanhe a pata rapidamente, e deseje que o nosso filho viva novamente.O homem sentou-se na cama e arrancou as cobertas de cima do corpo trêmulo.- Meu bom Deus, você está louca! Gritou ele, horrorizado.- Pegue aquela coisa - disse ela, ofegante -, pegue depressa, e faça o pedido... Ah, meu filho, meu filho!O Marido riscou um fósforo e acendeu a vela.- Volte para a cama - disse ele, incerto. - Você não sabe o que está dizendo.- Nós conseguimos satisfazer o primeiro pedido - disse a senhora, febrilmente. - Por que não o segundo?- Foi uma coincidência - gaguejou o velho.- Vá buscar a pata e faça o pedido - gritou a esposa, tremendo de excitação.O velho virou-se, olhou para ela, e sua voz tremeu.- Ele já está morto há 10 dias e, além disso, ele... - eu não queria lhe dizer isso, mas... só consegui reconhecê-lo pela roupa. Se já estava tão horrível para você ver, imagine agora?- Traga-o de volta - gritou a senhora, e o arrastou para a porta. - Você acha que tenho medo do filho que criei?Ele desceu na escuridão, foi tateando até a sala e depois até a lareira. O talismã estava no lugar, e um medo horrível de que o desejo ainda não expresso pudesse trazer o filho mutilado apossou-se dele, e ficou sem ar ao perceber que perdera a direção da porta. Com a testa fria de suor, ele deu volta na mesa, tateando, e foi-se amparando na parede até se achar no corredor com a coisa nociva na mão.Até o rosto da esposa parecia mudado quando ele entrou no quarto. Estava branco e ansioso, e para seu temor parecia ter um olhar estranho. Ele sentiu medo dela.- Peça! - gritou ela, com voz forte.- Isso é loucura - disse ele, com voz trêmula.- Peça! - repetiu a esposa.Ele levantou a mão.- Eu desejo que meu filho viva novamente.O talismã caiu no chão, e ele olhou para a coisa com medo.Então afundou numa cadeira, trêmulo, quando a esposa, com os olhos ardentes, foi até a janela e levantou a persiana.Ficou sentado até ficar arrepiado de frio, olhando ocasionalmente para a figura da velha senhora espiando pela janela.O cotoco de vela, que queimara até a beirada do castiçal de porcelana, jogava sombras sobre o teto e as paredes, até que, com um bruxulear maior do que os outros, se apagou. O velho, com uma imensa sensação de alívio pelo fracasso do talismã, voltou para a cama, e um ou dois minutos depois a senhora veio silenciosamente para o seu lado.Nenhum dos dois disse nada, mas permaneceram deitados em silêncio, ouvindo o tique-taque do relógio. Um degrau rangeu, e um rato correu guinchando através do muro. A escuridão era opressiva e, depois de ficar deitado por algum tempo, criando coragem, ele pegou a caixa de fósforos e, acendendo um, foi até embaixo para pegar uma vela.Nos pés da escada o fósforo se apagou, e ele parou para riscar outro; no mesmo momento ouviu-se uma batida na porta da frente, tão baixa e furtiva que quase não se fazia ouvir.Os fósforos caíram-lhe da mão e espalharam-se no corredor. Ele permaneceu imóvel, com a respiração presa até a batida se repetir. Então virou-se e fugiu rapidamente para o quarto, fechando a porta atrás de si.Uma terceira batida ressoou pela casa.- O que é isso? - gritou a senhora, levantando-se.- Um rato - disse o velho com voz trêmula -, um rato. Ele passou por mim na escada.A esposa sentou-se na cama, escutando. Uma batida alta ressoou pela casa.- É Herbert! - gritou. - É Herbert!Ela correu até a porta, mas o marido ficou na frente dela e, pegando-a pelo braço, segurou-a com força.- O que você vai fazer? - sussurrou ele com voz rouca.- É meu filho; é Herbert! - gritou ela, debatendo-se mecanicamente. - Eu esqueci que ele estava a 10 quilômetros daqui. Por que está me segurando? Me solte. Eu tenho de abrir a porta.- Pelo amor de Deus não deixe entrar - gritou o velho tremendo.- Você está com medo do próprio filho - gritou ela, debatendo-se. - Me solte. Eu já vou, Herbert; eu já vou.Ouviu-se mais uma batida, e mais outra. A senhora com um arrancão súbito soltou-se e saiu correndo do quarto. O marido seguiu-a até a escada e chamou-a enquanto ela corria para baixo. Ele ouviu a corrente chocalhar e a tranca do chão ser puxada lenta e firmemente do lugar. Então a voz da senhora soou, nervosa e ofegante.- A tranca - gritou ela alto. - Desça que eu não consigo puxar a tranca.Mas o marido estava de joelhos no chão, procurando a pata desesperadamente. Se pelo menos conseguisse encontrá-la antes que a coisa entrasse. Uma série de batidas reverberou pela casa, e ele ouviu o arrastar de uma cadeira quando a esposa a colocou no corredor encostada na porta. Ouviu o ranger da tranca quando esta se destravou lentamente, e no mesmo momento encontrou a pata de macaco, e desesperadamente fez o terceiro e último pedido.As batidas pararam subitamente, embora ainda ecoassem na casa. Ele ouviu a cadeira ser arrastada de volta, e a porta se abrir. Um vento frio subiu pela escada, e um gemido alto e demorado de decepção e tristeza da esposa lhe deu coragem para correr até ela e depois até o portão. O lampião da rua que tremulava do outro lado brilhava numa estrada silenciosa e deserta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-1690567919979517358?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/1690567919979517358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/09/pata-do-macaco-william-w-jakobs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/1690567919979517358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/1690567919979517358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/09/pata-do-macaco-william-w-jakobs.html' title='&quot;A pata do macaco&quot;; William W. Jakobs'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-8339460866303329155</id><published>2010-08-28T09:22:00.000-07:00</published><updated>2010-08-28T09:24:41.512-07:00</updated><title type='text'>Cacareco</title><content type='html'>Rinoceronte Cacareco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cacareco foi um rinoceronte do Zoológico de São Paulo que, nas eleições de outubro de 1958 para vereador da cidade, ganhou cerca de 100 mil votos. À época, a eleição era realizada com cédulas de papel e os eleitores escreviam o nome de seu candidato de preferência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cacareco foi um dos mais famosos casos de voto nulo em massa da história da política brasileira, uma vez que se tornou o "candidato" mais votado do pleito: o partido mais votado não chegou a 95.000 votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o resultado das eleições, Stanislaw Ponte Preta comentou no jornal Última Hora que "diversos membros da cúpula do PSP andaram rondando a jaula de Cacareco, para o colocarem no lugar de Adhemar de Barros". Já o então presidente Juscelino Kubitschek declarou: "Não sou intérprete de acontecimentos sociais e políticos. Aguardo as interpretações do próprio povo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de lançar o animal como candidato teria sido do jornalista Itaboraí Martins, em protesto contra o baixo nível dos outros 450 concorrentes. O fato se tornou notório e serviu como referência para várias análises de percentuais no Brasil de voto nulo e dos chamados votos de protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Wikipedia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-8339460866303329155?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/8339460866303329155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/cacareco.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/8339460866303329155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/8339460866303329155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/cacareco.html' title='Cacareco'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-7939642596686129692</id><published>2010-08-28T09:01:00.000-07:00</published><updated>2010-08-28T09:20:41.758-07:00</updated><title type='text'>Como anular o seu voto</title><content type='html'>Muito sabiamente, os caras que projetaram a urna eletrônica criaram um inteligente mecanismo para burlar a anulação de votos. Visto que a política brasileira nunca foi séria - e não o será tão cedo - seria muito fácil que uma parcela considerável do contingente eleitor anulasse seus votos, forçando assim, uma nova eleição com candidátos tão inócuos quanto os anteriores. Por isso, na máquina onde se realiza o pleito, há um teclado para se digitar o número dos candidatos, uma tecla verde "confirma", uma amarela "corrige" e uma "branco" para os votos em branco, que é quando o eleitor abre mão de sua opção em nome do candidato mais bem colocado na apuração. Deveria, uma vez que vivemos numa democracia, haver algo como uma tecla negra "NULO", que é quando o cidadão exerce o seu direito de não votar em ninguém, negando todas as propostas de todas as candidaturas, mas não há.&lt;br /&gt;Faremos aqui uma pequena cartilha de como anular o seu voto.&lt;br /&gt;Imagine, leitor, que você vai a um restaurante onde se servem pratos como parafusos incandecentes ao molho de cimento, cortiça derretida ao ácido sulfúrico e plástico duro com flúido de freio. Qual desses seria o escolhido pelo freguês? E mais, pagando ainda um alto preço pela refeição! Qualquer um com um mínimo de sanidade, rejeitaria todas as opções e sairia do local indignado. Infelizmente, as eleições brasileiras tentam escamotear tal opção.&lt;br /&gt;Mas há possibilidade de não se votar em ninguém. Qualquer número de candidato inexistente anula o voto, fazendo com que este não seja computado para nenhum dos candidatos de nenhum dos partidos. Ótimas opções são números como 00 ou 99, que não pertencem ao registro de nenhum dos partidos.&lt;br /&gt;Aliás, estamos agregando o número 99 para os candidatos do PRF (Partido da reestruturação do Feudalismo, que conhecerão em breve). Um país que já teve Cacareco como candidato mais votado (Cacareco era o rinoceronte emprestado ao zoológico de São Paulo pelo do Rio de Janeiro) não merece Tiriricas e Mulheres-Pera como representantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEJA RESPONSÁVEL. NÃO SUSTENTE VAGABUNDOS. VOTE NULO.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-7939642596686129692?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/7939642596686129692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/como-anular-o-seu-voto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7939642596686129692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7939642596686129692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/como-anular-o-seu-voto.html' title='Como anular o seu voto'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-8131620393780532080</id><published>2010-08-27T18:23:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T18:52:25.468-07:00</updated><title type='text'>Não nego as origens...</title><content type='html'>Não nego as origens. Uma das letras mais lindas que já ouvi, em linguagem orgulhosamente nordestina, como deve ser. Ainda me põe lágrimas nos olhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assum Preto&lt;br /&gt;Luíz Gonzaga&lt;br /&gt;Composição: Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em vorta é só beleza&lt;br /&gt;Sol de Abril e a mata em frô&lt;br /&gt;Mas Assum Preto, cego dos óio&lt;br /&gt;Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)&lt;br /&gt;Tarvez por ignorança&lt;br /&gt;Ou mardade das pió&lt;br /&gt;Furaro os óio do Assum Preto&lt;br /&gt;Pra ele assim, ai, cantá de mió (bis)&lt;br /&gt;Assum Preto veve sorto&lt;br /&gt;Mas num pode avuá&lt;br /&gt;Mil vez a sina de uma gaiola&lt;br /&gt;Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)&lt;br /&gt;Assum Preto, o meu cantar&lt;br /&gt;É tão triste como o teu&lt;br /&gt;Também roubaro o meu amor&lt;br /&gt;Que era a luz, ai, dos óios meus&lt;br /&gt;Também roubaro o meu amor&lt;br /&gt;Que era a luz, ai, dos óios meus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-8131620393780532080?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/8131620393780532080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/nao-nego-as-origens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/8131620393780532080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/8131620393780532080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/nao-nego-as-origens.html' title='Não nego as origens...'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-4243588639809509799</id><published>2010-08-25T18:46:00.000-07:00</published><updated>2010-08-25T19:17:38.993-07:00</updated><title type='text'>O Brasil é o país do futuro (NÃO DO SEU!)</title><content type='html'>É extremamente peculiar o senso de humor de nossos governantes e de alguns analistas internacionais que classificam, há anos, nosso país como emergente, como gérmen de uma nova ordem mundial e política, futura potência global, país austero e de economia responsável para capitanear as naus do novo mundo. Alardeia-se pujança dos BRICS aos quatro ventos e seu espantoso desenvolvimento sem se perceber que são nações cujas populações são imensas, miseráveis e esfomeadas.&lt;br /&gt;Vejamos o que nossa pátria-mãe-gentil reserva a seus filhos.&lt;br /&gt;O Brasil é o maior produtor mundial de soja, com campos vastíssimos cultivados, inclusive, invadindo fragorosamente o terreno de um de nossos orgulhos nacionais, as florestas. Pois, bem, brasileiro, vá ao mercado mais próximo e procure sua soja! Não há um grão sequer de soja no prato dos brasileiros - e, muitas vezes, não há nada! a maior parte dessa produção é exportada e os produtores, latifundiários ou prostituindo a terra com o rentabilíssimo agronegócio, beneficiam-se do mercado externo numa balança comercial cada vez mais favorável.&lt;br /&gt;Caminhamos a passos largos para ocupar um lugar na OPEP (clube de países produtores de petróleo), mas nossos postos têm bandeiras da Shell, Texaco e outras, e o preço do combustível é absurdamente caro. As discursões sobre produção de combustíveis mais limpos foi praticamente abandonada em face da rapinagem e da demanda internacional pelo ouro negro. Mamona, biodiesel, tudo deixado de lado em favor da balança comercial.&lt;br /&gt;Pode o leitor achar tais questões complexas demais, portanto sejamos mais práticos. Imaginemos um aumento de salário qualquer, por estagnação no valor do pagamento ou por decreto. Pois, basta que isso aconteça para que os preços de todos os produtos aumente automaticamente, transferindo o aumento do ordenado dos trabalhadores para os consumidores, mecanismo eficaz e peripécia mordaz para que os donos das empresas mantenham sua margem de lucro. E um monte de empresário ainda vai reclamar pra caramba no dia seguinte por causa da inflação! Em nome de uma distribuição de renda falsa e falaciosa, se desvaloriza a moeda! E não é só isso! Os preços sobem quando se agregam impostos, quando o preço da gasolina aumenta, quando se implanta uma nova praça de PEDÁGIO numa determinada estrada, quando chove demais ou quando a estiagem se prolonga. Tudo incorporado para que a mergem de lucro dos empresários não diminua. Como disse Orwell em outra oportunidade a respeito dos porcos, os brasileiros são todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros. Amamos o Brasil, mas como o Brasil nos ama?&lt;br /&gt;O BRASIL É O PAÍS DO FUTURO, MAS FUTURO DE QUEM?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VOTE NULO NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-4243588639809509799?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/4243588639809509799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/o-brasil-e-o-pais-do-futuro-nao-do-seu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/4243588639809509799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/4243588639809509799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/o-brasil-e-o-pais-do-futuro-nao-do-seu.html' title='O Brasil é o país do futuro (NÃO DO SEU!)'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-1371469103855832518</id><published>2010-08-08T09:45:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T09:46:40.594-07:00</updated><title type='text'>Another Life</title><content type='html'>As I lay here lying on my bed, sweet voices come into my head.&lt;br /&gt;Oh what it is, I wanna know, please won't you tell me it's got to go.&lt;br /&gt;There's a feeling that's inside me, telling me to get away.&lt;br /&gt;But I'm so tired of living, I might as well end today.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lyrics by Steve harris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-1371469103855832518?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/1371469103855832518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/another-life.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/1371469103855832518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/1371469103855832518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/08/another-life.html' title='Another Life'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-9090286183674536387</id><published>2010-05-21T13:17:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T13:21:31.635-07:00</updated><title type='text'>Pokolgép, para uma tarde extremamente frustrante e uma noite que vai ser pior ainda... Vamos ver se dá um pouquinho de ânimo.</title><content type='html'>Pokolgép, em húngaro como deve ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gRs39Ex9U1U&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gRs39Ex9U1U&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-9090286183674536387?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/9090286183674536387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/05/pokolgep-para-uma-tarde-extremamente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/9090286183674536387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/9090286183674536387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2010/05/pokolgep-para-uma-tarde-extremamente.html' title='Pokolgép, para uma tarde extremamente frustrante e uma noite que vai ser pior ainda... Vamos ver se dá um pouquinho de ânimo.'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-264109799728725230</id><published>2009-12-17T16:01:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T16:06:48.013-08:00</updated><title type='text'>O insone</title><content type='html'>Hora de postar coisas novas aqui. Tem gente que vai pensar que isto é autobiográfico, mas eu afirmo com todas as minhas forças que não dormi em ponto de ônibus nenhum da cidade nos últimos tempos. E era hora de, finalmete, postar um texto novo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O insone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A vida não me deixa dormir. As órbitas fundas e azuladas no espelho, a face dura, ossuda e encovada de tanto tempo e os olhos óleo-avermelhados, remelentos e distantes, com sua bacia hidrográfica de pequenos regaços rubros ao redor da íris fosca têm acompanhado o crescer da barba, mícron por mícron no reflexo das noites insones; as sobrancelhas espessas, hirsutas e ardentes e a fronte cansada e dolorosa como se um balé paquidérmico dançasse da hipófise ao córtex, à nuca, ao giro de Krebs e ao de Broca, e como se os fogos de ano novo numa pirotecnia insana me acompanhassem madrugada após madrugada até as luzes da aurora e o sol queimando as retinas secas e enrubrescidas, colocando um halo cor de batata frita fria e cerveja quente rodeando os buracos-negros da córnea que com sua densidade exorbitante e sua gravitação demoníaca não deixam, sequer, escapar uma lúmen, um raio de luz, vendo, observando, enxergando ininterruptamente, a vista fatigada de tanto ver. Com isso, as cores luminosas assumem uma tonalidade poeirenta, fumacenta, obscuramente amarronzada, e a beleza fenece. Talvez eu tenha vivido demais ou dormido de menos, mas é certo que há um descompasso entre as duas atividades. Tenho vivido ininterruptamente há quinze anos, e não vejo término neste sofrimento.&lt;br /&gt; O martírio estende-se pelo resto do corpo: os músculos doem a cada movimento carregados de letargia como se estivessem todos envenenados, mortos.  O esforço para levantar uma perna numa caminhada é sobre-humano, sente-se cada fibra muscular gritando nos membros ressequidos, e cada caminhada parece os espasmos finais de um corpo agonizante tentando sentir seus últimos movimentos desesperados e latejantes, entregam-se à imobilidade, são obscurecidos e enregelados pelo rigor mortis. As fibras musculares são um cordame ressequido e poeirento retesado por calandras de aço, e rangem ruidosamente, os ossos estalam como o madeiramento de um navio velho abandonado à deriva; o corpo soa como uma velha porta de madeira bolorenta de enferrujadas dobradiças que se abre ruidosamente em seu ranger.&lt;br /&gt; A insônia tem dessas metáforas grandiloqüentes, pois os que sofrem do mal, na ausência do quê fazer nas longas noites de outubro a outubro. Assim são as noites, negras e nevoentas, assim são as auroras rachadas e tormentosas. É muito tempo para um homem não dormir, mas eu não durmo.&lt;br /&gt; Caminha-se, mas porque existe rua, existe calçada. Os músculos reagem dolorosamente, os tendões doem...&lt;br /&gt; Repentinamente, uma região no centro, no âmago do crânio estala, e o banco frio do ponto de ônibus, metálico e repugnante, torna-se o local de descanso do corpo desgraçadamente seco pela interminável insônia. Os ossos, em contato com as estruturas gélidas e arestosas do banco gelado conseguem um raro prazer, distante e desconhecido e ignoram o fato de as formas terem sido produzidas para receber glúteos, não costas e braços puerilmente postos sob a cabeça, formando um rudimentar travesseiro. A cabeça descansa sobre as mãos juntas, e o desfalecimento toma conta do encéfalo seco e murcho dentro da abóboda óssea.  As pálpebras cerram-se, e o contato dos olhos com a mucosa é arenoso, como se permeado por uma miríade de pirâmides minúsculas e ressequidas a rolarem pela superfície frágil do tecido ocular. Num momento, com o rolar das pálpebras, tudo se torna escuro e a consciência vai-se esvaindo lentamente. Finalmente, depois de tantos anos, o homem da areia visita-me. Desculpa-se pela demora e pelo olvido, mas realiza seu trabalho magnificamente. É o sono.&lt;br /&gt; Lentamente, formas obscuras e nevoentas aparecem. Vejo-me deitado num sujo e frio banco de ponto de ônibus, os que esperam o coletivo afastam-se com asco, mas sorrio quase com desespero. O barulho das conversas e dos automóveis é quase imperceptível diante da situação, pois os olhos rolam de um lado para o outro num sonho que destoa da turbulência circundante, com seus capítulos de novela perdidos e seus motores possantes que são compensados pelas buzinas, já que a velocidade do trânsito é desproporcional à indicada nos velocímetros dos carros. Observo-me dormindo.&lt;br /&gt; Lentamente, formas obscuras e nevoentas aparecem. Vejo-me deitado num sujo e frio banco de ponto de ônibus; os que esperam o coletivo afastam-se com asco, mas sorrio quase com desespero. O barulho das conversas e dos automóveis é quase imperceptível diante da situação, pois os olhos rolam de um lado para outro num sonho que destoa da turbulência circundante, com seus capítulos de novela perdidos e seus motores possantes que são compensados sonoramente pelas buzinas, já que a velocidade do trânsito é desproporcional à indicada nos velocímetros dos carros. Observo-me dormindo.&lt;br /&gt; É impossível resistir ao impulso da curiosidade que, apesar do cansaço de anos, impele-me ao desejo de constatar se estou, realmente, depois de tantos anos, dormindo. Desperto, neste momento, alavancado por este sentimento e observo-me, como uma criança, com lágrimas de felicidade, para ver-me novamente num sujo e frio banco de ponto de ônibus; os que esperam o coletivo afastando-se com asco, mas sorrio quase com desespero. O barulho das conversas e dos automóveis é quase imperceptível diante da situação, pois os olhos rolam de um lado para o outro num sonho que destoa da turbulência circundante, com seus capítulos de novela perdidos e motores possantes que são compensados sonoramente pelas buzinas, já que a velocidade do trânsito é desproporcional à indicada nos velocímetros dos carros. Observo-me dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tadeu Sena, 24/04/09.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-264109799728725230?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/264109799728725230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/o-insone.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/264109799728725230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/264109799728725230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/o-insone.html' title='O insone'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-6132795504398404846</id><published>2009-12-09T15:32:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T15:42:49.481-08:00</updated><title type='text'>Там Высоко</title><content type='html'>Todos sabem da minha admiração pela língua russa, não é...? Bem, vídeo do АРИЯ (Aria), minha banda preferida no idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="384" height="313"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/z7gDZlMkKZs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/z7gDZlMkKZs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="384" height="313" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-6132795504398404846?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/6132795504398404846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/6132795504398404846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/6132795504398404846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/blog-post.html' title='Там Высоко'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-771350773868802347</id><published>2009-12-09T14:03:00.003-08:00</published><updated>2009-12-09T15:05:32.717-08:00</updated><title type='text'>Premiatta Forneria Marconi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/SyAs8dGg-nI/AAAAAAAAAAw/dvlbF6MeKJQ/s1600-h/pfm_1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 197px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/SyAs8dGg-nI/AAAAAAAAAAw/dvlbF6MeKJQ/s320/pfm_1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413376169215064690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma conversa com uma amiga que me perguntou "Que diabos é rock progressivo italiano????", resolvi responder a pergunta aqui. Vai um dos melhores representantes. Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Tadeu%20Sena/Meus%20documentos/Minhas%20m%C3%BAsicas/02-Per_un_amico%5B1%5D.voo7177.rar"&gt;http://www.4shared.com/file/36545638/f4dd0ae/Premiata_Forneria_Marconi_-_19.html?s=1&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-771350773868802347?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/771350773868802347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/premiatta-forneria-marconi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/771350773868802347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/771350773868802347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/premiatta-forneria-marconi.html' title='Premiatta Forneria Marconi'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/SyAs8dGg-nI/AAAAAAAAAAw/dvlbF6MeKJQ/s72-c/pfm_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-3107690388352524840</id><published>2009-12-09T13:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T13:54:12.924-08:00</updated><title type='text'>Monty Python</title><content type='html'>Continuando a série cinema, algumas das melhores coisas (senão a melhor) já produzidas. Quem me conhece sabe do que estou falando: MONTY PYTHON! Não há humor mais perfeito, mais sarcástico e mais atual que o do grupo inglês. As cenas postadas estão no filme "A vida de Brian" e são a cena final ("Always look on the bright side of life") e a cena do apedrejamento, talvez a mais perfeita que eu já vi! Divirtam-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1loyjm4SOa0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1loyjm4SOa0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/MIaORknS1Dk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/MIaORknS1Dk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-3107690388352524840?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/3107690388352524840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/monty-python.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/3107690388352524840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/3107690388352524840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/monty-python.html' title='Monty Python'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-7998623640776908563</id><published>2009-12-09T13:32:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T13:36:32.305-08:00</updated><title type='text'>Toríbio</title><content type='html'>Mais um texto transplantado do meu blog antigo (não esperem nada de novo lá, eu perdi a senha...) para este novo. Novamente, apresenta-se a saga do homem de Toríbio, ainda não concluída. Como nós assalariados só temos tempo para essas coisas nas férias (Ángel Rama tem coisas muito interessantes sobre a atividade literária na America Latina com respeito a isso...), espero concluí-la nas próximas. Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A volta dos que não foram" - Primeiro capítulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto de X. existe uma pequena vila chamada Toríbio que não chega aos seiscentos habitantes. A aldeia é politicamente dividida entre os municípios de X. e T. (ou seja, um empurra os problemas administrativos locais para o outro sem que nenhum dos dois se pronuncie). Em período eleitoral aparecem candidatos de ambos, com seus circos armados à caça de votos.&lt;br /&gt;Toríbio é uma aldeota preponderantemente rural, com ruelas de barro empesteadas de bosta de vaca, casas pequenas, galinhas por todos os lados, porcos caminhando livremente pelas calçadas e homens picando fumo para cigarros de palha. Nos bares, em meio ao cheiro forte de cachaça recém-retirada do alambique do vilarejo (aguardente de ótima qualidade) podem-se ouvir as vozes exaltadas dos homens jogando truco.&lt;br /&gt;Mas o mais curioso na vila de Toríbio é o fato de ela estar realmente – literalmente – na boca do Inferno. Embora haja quem afirme que a porta do Inferno fique em Cerbère, na fronteira franco-espanhola, em Comala, nos confins do planalto mexicano, que compositores germânicos barganhem suas almas em Palestrina, cidade que teve sua influência demoníaca atestada até por Dante, que existam embaixadores demoníacos em Guernesey, Ortach e demais ilhotas da Mancha, ou, ainda, em paragens do Oriente próximo, da Ásia distante, como Teku-Benga, nos ritos turbulentos da África Negra ou no deserto escaldante (onde o Inferno é gelado), e por valorosos que fossem tais escribas; não conheciam nossas plagas austrais, principalmente as banhadas pelos humores atlânticos. Em Toríbio localizam-se os portões infernais, e é lá que os mortos tomam a fresca quando o Inferno está muito quente (logicamente, pelas leis da termodinâmica, se a taxa de crescimento infernal é proporcionalmente menor que a de massa adentrante (consideramos aqui que as almas têm massa) no quadrado da distância – comprovando a endotermia infernal – , e atentando ao fato recorrente de que essa massa exorbita o espaço disponível, elevando os níveis de calor acima do suportável, o excedente interno precisa ser aliviado para que não explodam os reinos de belzebu. É nesse momento que as almas saem em busca de refresco (ao contrário do que se pensa, as almas podem sair). O Inferno tem cozinheiros ingleses, taxistas franceses, mulheres norte-americanas, juízes de futebol, uísque paraguaio e administradores brasileiros que possibilitam a saída. É comprovado o caso de um político local que chegou ao cargo de senador e fora expulso do Inferno por querer mandar mais que o próprio Diabo. Oxalá fosse possível elaborar-se todo um tomo tratando apenas desses aspectos, mas, como não convém a preâmbulo demorar-se (e este já se adianta ao enfado...), voltemos a Toríbio e à nossa história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-7998623640776908563?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/7998623640776908563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/toribio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7998623640776908563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7998623640776908563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/toribio.html' title='Toríbio'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-7492829792775983173</id><published>2009-12-09T12:36:00.001-08:00</published><updated>2009-12-09T13:23:35.775-08:00</updated><title type='text'>Morangos Silvestres</title><content type='html'>Sempre discuti com alguns amigos a relação entre cinema Literatura - logicamente, sempre colocando a última vários degraus acima do primeiro, o que, realmente, é inegável (desculpem, Fábio e Dudu! hahaha!). POis bem, justiça seja feita, a cena de "Morangos Silvestres" é, inegavelmente uma das mais intrigantes que já vi. Digna de mestres como Kafka, Borges ou Cortázar e utilizando realmente linguagens não dependentes da minha querida Literatura, ou seja, as imagens e o silêncio, que deixa o trecho mais interessante. Aos que não conhecem o mestre sueco, ótima oportunidade de conhecê-lo. Aos que o conhecem, deleitem-se. Muitas vezes, sinto-me exatamente como o protagonista no sonho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/A3n4TxNeaPg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/A3n4TxNeaPg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-7492829792775983173?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/7492829792775983173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/morangos-silvestres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7492829792775983173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/7492829792775983173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/12/morangos-silvestres.html' title='Morangos Silvestres'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-6818745181323311888</id><published>2009-09-24T18:57:00.000-07:00</published><updated>2009-12-14T11:09:25.145-08:00</updated><title type='text'>A hora em que todos os cães latem</title><content type='html'>Existe uma hora na madrugada em que todos os cães se põem a latir desenfreadamente, uivam como lobos e guincham como enlouquecidos. E ficamos em nosso s quartos imundos com nossas garrafas de cerveja e o Lucky Strike entre os dedos no intervalo entre o XXIIIº e XXIVº capítulos do "Bom Pantagruel", de Rabelais - edição ilustrada - perguntando-nos p or que tais animais ladram tão loucamente madrugada afora, na escuridão. Talvez haja alguém no telhado, e seria importante verificar , ter um três oitão para dar uns pipocos no intruso; talvez haja alguém pedindo ajuda no portão, um parente distante fazendo uma visita surpresa que se perdeu no trânsito labiríntico da cidade, ou haja um alienígena abduzindo alguém na vizinhança, ou uma ação de Dom Pablo Corleone nas imediações tenha despertado a curiosidade das autoridades. talvez haja apenas um pagode ou forró nas imediações, para o qual eu não fui convidado. Ou talvez não haja nada. Há um trecho muito interessante, na página 20 de "O lodo da estepe", de Hermann Hesse, que talvez dê conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;""A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer." Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra, e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar! isso mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas sem dúvida estará confundindo a terra com a água e um dia morrerá afogado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cães da noite latem, e é isso. Observemos apenas assim, ou postulemos todos os motivos acima nas longas noites de insônia. A Simplicidade às vezes funciona como a sagrada mão da musa correndo a pena sobre o pergaminho. Ou as canções de Orfeu no Hades. Uma caminhada no bosque. Um copo de cerveja gelada. A música dos Ramones. Ou nada disso. Gostaria de tê-la. Ou não. Seria a noite de insônia mais agradável com ela? Bem, a única certeza é que os cães latem, todos, a essa hora. E são cães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tadeu Sena, 21/09/09.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-6818745181323311888?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/6818745181323311888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/09/hora-em-que-todos-os-caes-latem.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/6818745181323311888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/6818745181323311888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/09/hora-em-que-todos-os-caes-latem.html' title='A hora em que todos os cães latem'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-9191317228103959617</id><published>2009-09-20T22:17:00.001-07:00</published><updated>2009-09-20T22:17:59.443-07:00</updated><title type='text'>Coisas antigas...</title><content type='html'>Atendendo a pedidos antigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inundação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subia eu a rua Padre Celestino numa ensolarada tarde de segunda-feira. O sol queimava a pele de meu rosto e meus braços, fazendo-me transpirar sobremaneira, conferindo-me um aspecto pegajoso e repugnante, mas, com o mesmo efeito, dando um ar de atração e agradável volúpia à pequena figura de cabelos negros a minha frente, o que me faz concluir que a mediocridade da vida é pouco mais suportável do que imaginava momentos antes. Vou subindo a rua hipnotizado pela figura de pele morena que caminha pouco acima, em direção a uma das principais avenidas da cidade.&lt;br /&gt;A poluição lançada por carros e chaminés de indústrias, aliada à tarde de calor intenso, faz com que o próprio ar se torne sujo, criando uma atmosfera pegajosa e dando um aspecto gorduroso e resinoso às pessoas e aos prédios, em meio ao asfalto quente que, em partes, vai derretendo. Afora isso, dou-me conta de que, por baixo da pesada calça jeans e da camisa (que não deixa de ser grossa para um dia de calor insuportável como este), estou completamente banhado em suor, o que me faz perceber que mesmo se pudesse ter qualquer contato com a pequena morena à minha frente, ela acharia meu aspecto repugnante, e que o simples fato de poder observa-la caminhando displicentemente à minha frente já é suficiente colírio para os olhos. Conformo-me com este pensamento.&lt;br /&gt;Eis então que, quando já me encontro a algumas dezenas de metros do topo da rua íngreme, sua esquina, vejo, de repente, que uma enorme enxurrada começa a descer violentamente, arrastando as barracas dos camelôs da esquina a alguns metros; as pessoas correm desesperadamente frente à inusitada torrente que toma conta de toda a rua e vai-se aproximando cada vez mais, uma incrível e inesperada borrasca de laranjas, grandes e pequenas, cítricas e cruéis, que desce rolando ladeira abaixo formando uma onda gigante, um maremoto de frutas desvairadas que, cada vez mais, vai tomando conta da via, arrastando pessoas, cobrindo carros, levando um sujeito que inocentemente andava de bicicleta de um lado para o outro. Desce incessantemente até alcançar a pequena e bela morena que caminha a minha frente, e em seguida, a mim.&lt;br /&gt;Sinto o golpe das frutas que me derrubam com violência e vão-me arrastando rua abaixo por vários metros, num movimento de subida e descida que me faz esfolar no asfalto, enquanto tento livrar-me da borrasca de laranjas. O sumo ácido das frutas esmagadas faz com que meus ferimentos ardam e a dor se intensifique, enquanto me choco com a parede de um posto de gasolina lá embaixo, no final da rua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que houve alegria e comoção por toda a cidade, tanto naquele dia como nos seguintes. Os comerciantes não mais tiveram baixas nos seus estoques de laranja por um longo tempo. Os garotos que entregavam panfletos nas ruas do centro da cidade regozijavam-se com laranjas. Nos bares, os bêbados encontravam o sabor ácido da laranja entre um gole e outro, enquanto surgiam bebidas variadas que empregavam a fruta em sua preparação. Os desempregados não mais passavam sede ao sair em busca de emprego no centro da cidade, pois o suco de laranja agora tinha preços baixíssimos. Nos restaurantes, a laranja e seu suco eram oferecidos gratuitamente e com fartura nas refeições. Surgiam variadas receitas de bolos, compotas, sobremesas e pratos que faziam a diversão das donas de casa e desafiavam os maîtres e cozinheiros.&lt;br /&gt;Nunca pude saber o real motivo da inundação de laranjas que invadiu a cidade naquela insuportavelmente quente tarde de segunda-feira, pois morri no mesmo dia, soterrado pela enxurrada. Seu sumo ácido atiçava meus ferimentos, enquanto seu peso quebrava meus ossos e me impedia de respirar. As ambulâncias que foram enviadas para socorrer os feridos nunca chegaram ao seu destino, visto que todas as ruas encontravam-se tomadas pelas frutas e o trânsito tornara-se impraticável.&lt;br /&gt;           Mas a alma humana tem a faculdade de com tudo se conformar.&lt;br /&gt;Momentos antes de a vida abandonar meu corpo, consegui o tão sonhado contato com a pequena figura morena que jazia soterrada a poucos metros do meu corpo inerte. Com muito esforço pude ouvir sua voz em meio à balbúrdia de frutas, antes que ambos expirássemos, e, num momento de reflexão que só a proximidade da morte é capaz de conceder, pude ouvi-la dizendo antes que desse seu último suspiro e deixasse de um a vez esta vida:&lt;br /&gt;-         Graças a Deus que foram laranjas. Imagine se fossem abacaxis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tadeu Sena, 10/02/2002.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-9191317228103959617?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/9191317228103959617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/09/coisas-antigas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/9191317228103959617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/9191317228103959617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/09/coisas-antigas.html' title='Coisas antigas...'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598838623846840855.post-5904283018264186366</id><published>2009-09-20T21:44:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T21:58:37.678-07:00</updated><title type='text'>Lá vamos nós de novo...</title><content type='html'>Boas noites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que vem a necessidade de escrever. Perdi a senha do meu antigo blog, e a necessidade de escrever me atormenta. Ora, ademais, resolvi escrever todos os dias! Para quê? Vejamos: para que ou para quem se escreve? Isso só o tempo dirá. Ou não. Ou nunca. Que fazer? Escrever, ora! Deixemos de delongas e vamos, assim, ao primeiro texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sanatório Berghof é o nome do lugar onde Hans Castorp fica internado por um longo tempo. A princípio, o personagem sente-se estranho em relação ao lugar e até um pouco desesperado por deixá-lo. Estranhas coisas acontecem no local, mas é bom não confundir com esses romancezinhos de suspense ou de vampirinhos que nada tem a oferecer além de gasto de papel, um pouco de entretenimento aos seres de baixa atividade mental que os lêem (eu não adotei a reforma!) e lucros enormes ao mercado editorial. Em "A montanha mágica", o protagonista passa por uma transformação íntima, da qual não sai ileso, e cada uma das passagens gera um tipo diferente de inquietação no leitor, como se não pudéssemos dormir sem saber o que acontece no capítulo seguinte. Bem, está explicado o título do blog. Se alguém tiver interesse, a obra magnífica de Thomas Mann encontra-se na biblioteca municipal (se for o leitor guarulhense), e faz muito tempo que ninguém a pega. Não se assustem com o tamanho, o efeito é garantido. Está explicado o titulo do blog&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A verdadeira arte não oferece respostas, multiplica as perguntas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tadeu Sena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boas noites.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598838623846840855-5904283018264186366?l=taddesena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://taddesena.blogspot.com/feeds/5904283018264186366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/09/la-vamos-nos-de-novo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/5904283018264186366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598838623846840855/posts/default/5904283018264186366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://taddesena.blogspot.com/2009/09/la-vamos-nos-de-novo.html' title='Lá vamos nós de novo...'/><author><name>Sanatório Berghof</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16231281357741016595</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_Sz9splMkyDk/Sxx-jwdBq2I/AAAAAAAAAAM/FRI7kl8n2jE/S220/zoo+2009+080.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
